segunda-feira, 13 de setembro de 2010


Quando a existência parece surreal e os sentimentos enlouquecem, do que será, do que não será da caixinha de surpresa no lado da cama, das borboletas na barriga, e dos medos,é dos medos que descrevo,é do desespero que tenho medo. As cantigas que confortam o pensamento, belas e sonolentas rancando lágrimas avulsas, sonhadas, despercebidas.
  Sonhos de uma casinha de papel, de uma boneca de porcelana, sonhos bobos de menina, de encantos, de desenhos jogados pela sala, de gostos, saudades. Ah e as saudades, saudade do seu abraço confortável, do seu bigode refletido nos meus olhos castanhos, e ela, que doce era ela, com seu sorriso azul, dos seus olhos verdes suaves.
  Ah que saudade do por do sol, da chuva, do cheiro da terra molhada, da manhã ensolarada, das cadeias de morros. E como poderia eu, descrever tal encanto, como flash de pequenas lembranças, de pequenas dores, de pequenas coisas deixadas de lado.
  Das fotos no armário, da casa abandonada, das cartas guardadas, das pernas marcadas, dos arranhões, da colheita, das quatro estações não definidas, da correria pelos cômodos da casa, impaciência, inquietude, se foi, se foi, nos dias, nos dias...